O governo do Acre, por meio do Sistema Integrado de Meio Ambiente e Mudança do Clima (Simamc) e do Gabinete de Crise, realizou, na manhã desta quinta-feira, 28, a Reunião Técnica de Enfrentamento ao Período de Seca no Acre. O encontro teve como objetivo apresentar análises e prognósticos hidrometeorológicos para o período de estiagem no estado, além de discutir estratégias preventivas e ações integradas, implementadas pelo governo para minimizar os impactos da seca.
Transmitido ao vivo pelo canal oficial do governo do Acre no Youtube, a reunião técnica foi coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDC). Durante o encontro, as instituições que integram o Simamc apresentaram as ações preventivas já executadas, além das estratégias em andamento para minimizar os impactos da estiagem no estado.
Durante a abertura, o secretário de Estado do Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, destacou que o encontro tem como principal objetivo reunir a comunidade acadêmica, os órgãos estaduais e as instituições parceiras para analisar os prognósticos climáticos para os próximos meses e fortalecer o alinhamento das estratégias de enfrentamento ao período de seca no Acre. Segundo ele, diante das previsões de um possível El Niño mais intenso, o governo do Estado vem intensificando ações preventivas e fortalecendo a atuação integrada entre os órgãos envolvidos.
Leonardo Carvalho ressaltou ainda que, por orientação da governadora Mailza Assis, o Estado tem adotado medidas antecipadas para minimizar os impactos da estiagem, com foco na integração institucional, no monitoramento climático e na preparação das equipes que atuarão durante a estiagem.
“Estamos mostrando não apenas os prognósticos, mas também as ações práticas que já estão sendo executadas, como perfuração de poços em territórios indígenas, contratação de brigadistas comunitários, fortalecimento das ações do Corpo de Bombeiros e integração entre os órgãos ambientais. Nosso objetivo é repetir os bons resultados do ano passado, quando conseguimos reduzir em 75% os focos de queimadas. Precisamos agir de forma antecipada, envolver a população e reforçar que meio ambiente é qualidade de vida, é garantir água, ar limpo e mais segurança para todos”, afirmou.
Em seguida, a secretária dos Povos Indígenas, Francisca Arara, apresentou ações emergenciais voltadas ao enfrentamento da crise hídrica em territórios indígenas do Acre. A iniciativa prevê investimentos de R$ 2 milhões, por meio do Programa REM Acre Fase 2, destinados à ampliação do abastecimento de água em aldeias localizadas nas regiões do Alto Rio Purus e Alto Rio Juruá.
As ações contemplam a perfuração de poços artesianos que devem beneficiar diretamente 1.255 famílias indígenas, alcançando mais de 5 mil pessoas em 38 aldeias distribuídas em nove terras indígenas dos municípios de Assis Brasil, Marechal Thaumaturgo, Jordão, Tarauacá e Mâncio Lima.
“Os povos indígenas vêm enfrentando diretamente os impactos das crises climáticas e nossos territórios têm sofrido com os efeitos da seca. Hoje estamos investindo na construção de poços e cacimbas, levando segurança hídrica às aldeias e preparando as comunidades para o período de estiagem que deve se intensificar nos próximos anos”, destacou a secretária Francisca Arara.
A presidente do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC), Jaksilande Araújo, apresentou o Plano Estratégico de Enfrentamento à Crise Hídrica de 2026, elaborado pelo IMC com foco na mitigação dos impactos da seca severa, no fortalecimento da segurança hídrica e na ampliação da resiliência produtiva da agricultura familiar no Acre, especialmente nas regionais do Alto e Baixo Acre.
“O IMC consolida seu papel estratégico na agenda climática do Acre. São mais de R$ 4,5 milhões em investimentos. Essas ações serão 100% monitoradas por salvaguardas e com a participação comunitária garantida. Tudo isso fortalece a nova economia florestal, amplia a resiliência hídrica e gera benefícios reais para quem vive e conserva nossas florestas”, destacou a presidente.
A iniciativa prevê investimentos superiores a R$ 4,5 milhões, por meio do Programa REM Acre Fase 2, destinados à execução descentralizada de ações de prevenção, mitigação e resposta rápida, em parceria com Organizações da Sociedade Civil (OSCs). As ações contam com apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Acre (Emater), monitoramento institucional do IMC e acompanhamento baseado em salvaguardas socioambientais.
Outro destaque da reunião foi a apresentação do Boletim Climático da Amazônia para o trimestre de junho a agosto de 2026. O meteorologista e analista em Ciência e Tecnologia do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia da Regional de Porto Velho (Censipam-CR/PV), Luiz Alves dos Santos Neto, participou de forma on-line e apresentou os cenários climáticos previstos para a região amazônica.
Segundo o especialista, as projeções indicam temperaturas acima da média, com variação entre 1°C e 1,5°C, por conta da influência do fenômeno El Niño, que pode intensificar os efeitos da estiagem em toda a Amazônia. Além da alta probabilidade de consolidação do fenômeno ao longo do segundo semestre de 2026, com possibilidade de permanência até o início de 2027.
Ao destacar a importância da atuação integrada no enfrentamento aos eventos climáticos extremos, o coordenador da Defesa Civil Estadual, Carlos Batista, ressaltou que os órgãos de resposta dos três níveis de governo estão preparados para atender principalmente as populações mais vulneráveis do estado.
“Os órgãos de resposta dos três níveis de governo estão preparados para oferecer suporte à população, principalmente às comunidades mais vulneráveis, como ribeirinhos e povos indígenas. O papel da Defesa Civil é justamente coordenar e articular as instituições em todas as etapas, desde a prevenção e preparação até a resposta, assistência humanitária e reconstrução. Hoje, nosso foco está cada vez mais voltado à prevenção e à redução dos impactos desses eventos extremos”, afirmou.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Charles Santos, também apresentou as estratégias operacionais para o enfrentamento das queimadas e incêndios florestais em 2026. Entre os destaques estão a ampliação da estrutura operacional, com bases distribuídas em municípios estratégicos, viaturas especializadas, brigadistas comunitários capacitados e ações integradas com órgãos estaduais e federais. A Operação Protetor do Bioma já iniciou a fase de fiscalização e prevenção, enquanto as ações diretas de combate aos incêndios terão início em julho.
“Neste ano, firmamos um Acordo de Cooperação Técnica com a Polícia Militar, Polícia Ambiental, Ministério Público e Instituto do Meio Ambiente do Acre, que permitirá ao Corpo de Bombeiros atuar também como braço extensor das ações de fiscalização ambiental. Já iniciamos o trabalho preventivo por meio da operação Acre Seguro, levando orientações diretamente à população urbana e rural sobre prevenção às queimadas e riscos ambientais. A etapa de fiscalização será intensificada nas próximas semanas e, a partir de julho, terá início a Operação Protetor do Bioma”, destacou o coronel Charles.
O promotor de Justiça do Acre, Alekine Lopes, destacou a importância da reunião técnica como espaço de diálogo e planejamento integrado para o enfrentamento da seca no estado.
“A importância dessa reunião é justamente abrir esse diálogo que fazemos todos os anos para estudar ações e planejamentos voltados ao enfrentamento da seca. O Estado e as instituições parceiras já acumulam experiência nesse trabalho e, hoje, estamos aqui também para conhecer as novidades, entender as perspectivas e fortalecer ainda mais essa atuação conjunta”, afirmou o promotor.
Saiba mais
Realizada anualmente desde 2017, a Reunião Técnica de Enfrentamento ao Período de Seca no Acre se consolidou como um importante espaço de integração entre órgãos municipais, estaduais e federais, além da comunidade científica. O encontro tem como objetivo promover o compartilhamento de informações técnicas e a construção de cenários climáticos para os próximos meses.
Os dados e prognósticos apresentados durante a reunião, disponíveis no site da Sema, auxiliam no planejamento de ações de mitigação, adaptação e resposta aos eventos extremos, fortalecendo a tomada de decisões de forma integrada, estratégica e baseada em evidências.
Sobre o Simamc
Instituído pela Lei nº 4.749, o Sistema Integrado de Meio Ambiente e Mudança do Clima (Simamc) é uma estrutura de governança voltada à integração das políticas públicas ambientais, territoriais e de enfrentamento às mudanças climáticas no Acre.
O sistema tem como principal objetivo promover a gestão integrada entre os órgãos que o compõem, fortalecendo a atuação estratégica, operacional e complementar das instituições, além de otimizar recursos e ampliar a efetividade das políticas ambientais e climáticas no estado.
Integram o Simamc as secretarias de Estado do Meio Ambiente (Sema), de Agricultura (Seagri) e dos Povos Indígenas (Sepi); os institutos de Meio Ambiente do Acre (Imac), de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC) e de Terras do Acre (Iteracre); além da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDC).


