O Acre alcançou uma posição de destaque no cenário nacional da saúde pública ao conquistar o 4º lugar entre os estados brasileiros em número de transplantes de fígado por milhão de habitantes, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) 2025, publicado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
Com 18 transplantes hepáticos realizados em 2025, todos provenientes de doadores falecidos, o estado atingiu a marca de 20,4 procedimentos por milhão de população (pmp), ficando atrás apenas do Distrito Federal (48,7 pmp), Ceará (26,1 pmp) e Paraná (24,6 pmp). O desempenho coloca o Acre à frente de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, referências nacionais em estrutura hospitalar e atendimento de alta complexidade.
O resultado destaca o fortalecimento da política estadual de transplantes e evidencia os avanços da rede pública de saúde acreana, especialmente no trabalho de captação de órgãos, regulação, assistência especializada e no acompanhamento de pacientes que aguardam por procedimentos de alta complexidade.
A presidente da Fundhacre, Sóron Steiner, disse que ver o Acre ocupando um lugar de destaque nacional em transplantes de fígado, é motivo de muito orgulho e emoção. Ela reforçou que o estado tem grandes desafios geográficos e logísticos, mas que, mesmo assim, conseguiu alcançar um resultado de excelência, graças ao comprometimento das equipes de saúde, a atuação integrada das instituições e a solidariedade das famílias doadoras.
“Mais do que números, estamos falando de vidas salvas, de famílias que recebem uma nova chance e de profissionais que trabalham com absoluto compromisso, muitas vezes enfrentando obstáculos que outros estados não enfrentam”, destacou a gestora.
Sóron afirmou ainda que o reconhecimento nacional mostra que o Acre tem capacidade técnica, competência e uma rede de profissionais altamente comprometida com a saúde pública.
O levantamento nacional também mostra que o Brasil bateu recorde em transplantes de fígado em 2025, com 2.573 procedimentos realizados e taxa de 12,1 transplantes por milhão de habitantes, o maior número já registrado no país, representando crescimento de 4,8% em relação ao ano anterior.
Além disso, o Brasil ocupa atualmente a 4ª posição mundial em número absoluto de transplantes hepáticos, consolidando o Sistema Único de Saúde (SUS) como uma das maiores redes públicas transplantadoras do mundo.
No Acre, esse avanço representa mais do que estatística: significa vidas salvas, esperança renovada e o fortalecimento de uma assistência cada vez mais humanizada e eficiente. O resultado fortalece o compromisso do governo do Estado com a ampliação do acesso à saúde especializada e com a oferta de tratamentos que transformam realidades.
Valéria Monteiro, coordenadora do serviço de transplantes da Fundhacre, alerta para a importância da doação de órgãos, um gesto de solidariedade que possibilita novos começos e oferece a pacientes em lista de espera a chance de recomeçar com mais qualidade de vida.
“Trabalhamos diariamente com o foco de tirar nossos pacientes da fila de transplantes. Poder ver os frutos desse serviço, que é realizado por muitas mãos e muitos profissionais qualificados, nos deixa muito felizes, mas é como costumo dizer: sem doador não tem transplante”, declarou.

