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Saldo da balança comercial chega a US$ 95,7 milhões e ultrapassa todo o resultado alcançado em 2025 no Acre 

A Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre (Seict) avalia que o fortalecimento das relações comerciais, especialmente com o Peru, tem contribuído diretamente para o crescimento da balança comercial acreana, consolidando o comércio exterior como um dos principais vetores do desenvolvimento econômico estadual.

Dados do Boletim de Comércio Exterior, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o saldo da balança comercial do Acre entre janeiro e setembro deste ano alcançou US$ 95,7 milhões, superando o resultado registrado em todo o ano de 2025, quando o estado fechou com saldo de US$ 93,6 milhões. O valor do saldo de setembro já aparece como o maior da série histórica.

Peru e Turquia aparecem como os maiores destinos da exportação. Foto: MDIC

Os principais destinos das exportações acreanas no período foram Peru, Turquia e Emirados Árabes Unidos. Entre os produtos mais exportados estão a carne bovina fresca (35,3%), frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas (24,6%) e soja (18,7%).

Já entre os produtos importados, destacam-se artigos de vestuário confeccionados em tecidos têxteis, inclusive de malha (41,3%), seguidos por armas e munições (14,6%). Nos nove primeiros meses do ano, o Acre registrou importações no valor de US$ 5,2 milhões.

Saldo pode chegar a US$ 130 milhões

O secretário de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia, Márcio Valter Agiolfi, avalia que o Acre deverá encerrar o ano com um saldo da balança comercial próximo de US$ 130 milhões.

“Esse resultado reflete principalmente a força da carne bovina, que responde por cerca de 30% das nossas exportações. O Peru é hoje o principal parceiro comercial do Acre, seguido pela Turquia. Isso reforça a importância de mantermos um relacionamento institucional cada vez mais próximo com o mercado peruano, estratégico pela proximidade geográfica e pelo potencial de ampliação dos negócios com o nosso estado”, afirma.

Segundo o gestor, o governo estadual tem intensificado as ações voltadas ao fortalecimento das relações comerciais com o país vizinho. “Nos últimos anos, realizamos intercâmbios e iniciativas para aproximar empresários acreanos e peruanos. Neste ano, promovemos uma importante rodada de negócios em Puerto Maldonado, fortalecendo os laços entre os setores produtivos dos dois países. Em novembro, devemos receber representantes da Embaixada do Peru e agentes ligados à intermediação comercial, ampliando ainda mais esse relacionamento”, destaca.

Márcio Agiolfi avalia que o Acre deverá encerrar o ano com um saldo da balança comercial próximo de US$ 130 milhões. Foto: Sérgio Vale

Cultura exportadora e capacitação empresarial

Agiolfi ressalta que a Seict também tem trabalhado para ampliar a cultura exportadora entre as empresas acreanas. “Temos desenvolvido ações para incentivar nossas indústrias a acessar novos mercados. É fundamental compreender o perfil do consumidor peruano e adaptar produtos e processos para aumentar a competitividade das empresas acreanas”, explica.

O secretário destaca ainda a importância das parcerias institucionais para a qualificação do setor produtivo: “Contamos com o apoio do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, por meio de iniciativas como o programa Feito no Acre, além de parcerias com o Senai, Sebrae, Federação das Indústrias, Federação da Agricultura e Secretaria de Planejamento. Essas instituições têm sido fundamentais na preparação dos empresários para atuar no comércio exterior”.

Entre as ações recentes, cita a participação de empresas acreanas na Expoalimentaria, considerada uma das principais feiras de alimentos da América Latina: “Por meio de uma parceria com o Sebrae, levamos empresários acreanos para a Expoalimentaria, ampliando oportunidades de negócios e a inserção dos nossos produtos em mercados internacionais”.

Apoio à internacionalização das empresas

De acordo com Agiolfi, o papel da secretaria é oferecer suporte técnico para que um número cada vez maior de empresas acreanas consiga exportar.  “Nosso objetivo é orientar o empresário em todas as etapas desse processo, fornecendo as informações e o apoio necessários para acessar mercados internacionais. Estamos reforçando nossa equipe técnica especializada em comércio exterior para ampliar esse suporte e criar melhores condições para que as empresas acreanas exportem seus produtos”, frisa.

Infraestrutura para fortalecer o setor produtivo

O secretário também destaca os investimentos em infraestrutura voltados à melhoria do ambiente de negócios no estado. Entre as ações já concluídas está a revitalização do parque industrial de Cruzeiro do Sul, realizada ainda no primeiro semestre deste ano.

Saldo de janeiro a setembro já é o maior da série histórica. Imagem: MDIC

“Atualmente, estamos finalizando as intervenções nos polos industriais de Feijó e Xapuri. Também realizamos melhorias na pavimentação do Distrito Industrial de Rio Branco e aguardamos a liberação de recursos de uma emenda parlamentar do deputado federal Zé Adriano para ampliar as obras de recuperação da infraestrutura do Parque Industrial da capital”, afirma.

Rota Quadrante Rondon ganha força como corredor estratégico

O fortalecimento da integração regional e das relações comerciais com os países vizinhos também passa pela consolidação da Rota Quadrante Rondon no Acre. Essa é uma das principais conclusões do Boletim Estratégico – Governança e Parcerias Institucionais da Rota Quadrante Rondon (Trecho Acre 2026), elaborado pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), em parceria com o Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre.

O estudo integra os trabalhos de elaboração do Plano de Governança da Rota, corredor logístico de integração que conecta o Acre aos portos do Oceano Pacífico. A análise apresenta o cenário atual da articulação institucional, identifica desafios e propõe medidas para fortalecer a cooperação entre as diferentes esferas de governo, o setor produtivo e instituições do Peru e da Bolívia.

Entre os principais desafios apontados estão a ausência de uma estrutura permanente de governança, a fragmentação das ações entre os órgãos públicos e as diferenças na capacidade de gestão dos municípios, especialmente os localizados na faixa de fronteira.

O documento também destaca a necessidade de ampliar o diálogo internacional para facilitar procedimentos relacionados ao comércio exterior, ao transporte de cargas e à circulação de pessoas, fatores considerados essenciais para ampliar a competitividade da rota e impulsionar o desenvolvimento econômico da região.

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