Álvaro Henrique da Costa é aluno do 1º ano do ensino médio na Escola Militar Dom Pedro II, em Rio Branco. Diagnosticado com uma síndrome genética rara, a de Prader-Willi, o estudante encontrou no atendimento educacional especializado (AEE) o apoio que precisava para transformar suas dificuldades em sonho: quer cursar Pedagogia, especializar-se em psicopedagogia e abrir uma clínica para ajudar outras crianças com deficiência a superarem os próprios limites.
“Eu aprendi muito no AEE. Antes, eu não sabia ler nem escrever. Agora quero estudar para ser psicopedagogo e ensinar outras pessoas que têm dificuldade, como eu”, conta, com o sorriso de quem sabe o valor da superação.
Apoio que transforma
A história de Álvaro é acompanhada de perto pela mãe, Reginalda Araújo, professora e servidora pública: “O Álvaro sempre estudou em escola pública, porque acredito que é no ensino público que o acompanhamento é mais completo. A equipe da escola militar foi fundamental para o desenvolvimento dele”, avalia.
Na instituição, o estudante recebe atendimento na sala de recursos multifuncionais, onde alunos com deficiência têm acompanhamento individualizado. Álvaro também conta com o auxílio do professor mediador Otávio Augusto, que o acompanha durante as aulas regulares. “Ele é um aluno dedicado, focado e muito consciente dos próprios direitos. Sabe quando precisa de atividades adaptadas e participa ativamente de tudo. Álvaro é inspiração para toda a turma”, relata o educador.
A professora Kátia Santos, responsável pela sala de recursos, reforça que o trabalho vai além do conteúdo pedagógico: “Aqui, trabalhamos autonomia, socialização e acolhimento. O governo do Estado tem investido muito em formação continuada, estrutura e material para que a inclusão aconteça de verdade”.
Rede que se fortalece
Nos últimos anos, o governo do Acre tem ampliado os investimentos voltados à educação especial e ao atendimento, com foco em pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), por meio de ações que se ramificam para atender a todos que apresentam necessidade, fortalecendo uma rede que une escola, saúde e assistência social.
Em maio de 2024, foi inaugurada em Rio Branco a Central de Referência em Educação Especial, um marco na inclusão de estudantes com deficiência na rede estadual. No mesmo período, o Estado criou o Selo Escola Amiga do Autismo, para reconhecer instituições que adotam práticas inclusivas.
Já em abril de 2025, o governo anunciou que o número de alunos com deficiência matriculados na rede estadual aumentou 901% em seis anos, passando de 729 em 2017 para mais de 6,5 mil estudantes em 2023.
A capacidade de acolher esses estudantes na rede regular de ensino coloca o Estado do Acre como referência em inclusão educacional no país. Enquanto diversas unidades federativas ainda mantêm centros específicos para o atendimento de alunos com deficiência, o Acre aposta em uma política de integração. Os que necessitam de atendimento especializado são matriculados nas escolas públicas estaduais, estabelecendo, assim, uma educação mais equitativa e inclusiva.
Além disso, em outubro de 2025 o estado celebrou a publicação do Decreto nº 12.686, que institui a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva, como marco para reforçar os aportes e as diretrizes da educação especial no Acre.
Saúde e apoio às famílias
Na área da saúde, programas como o Saúde Itinerante Especializado em Neuropediatria têm levado atendimento a crianças e adolescentes com TEA em todo o estado. Em 2025, o Centro Especializado em Reabilitação (CER III) já registrava mais de 800 pacientes autistas em acompanhamento.
O governo também lançou o programa Mentes Azuis, que oferece bolsas de pesquisa e apoio a famílias de pessoas com TEA, e abriu chamamento público para capacitação parental sobre autismo e deficiência intelectual.
Em junho de 2025, o lançamento de curso na modalidade EaD voltado aos profissionais da Atenção Primária para o cuidado integral de pessoas com TEA foi anunciado pelo Núcleo de Telessaúde do Acre em parceria com a Universidade Federal do Acre (Ufac).
Marco legal e articulação intersetorial
Em março de 2025, o governo publicou um pacote de leis para garantir proteção e direitos para pessoas com TEA: a Lei nº 4.560/25 instituiu o Protocolo Individualizado de Avaliação para alunos com transtornos globais do desenvolvimento; a Lei nº 4.563/25 trata de permanência de pessoas com TEA em estabelecimentos com utensílios/ alimentos pessoais; e a Lei nº 4.568/25 obriga câmeras de monitoramento em clínicas de terapias para neurodivergentes.
Esperança e futuro
Além de sonhar em se tornar psicopedagogo, Álvaro já começou a dar seus primeiros passos como educador: “Ele quis ensinar uma prima que tem dificuldade de aprender. Quer dar aula até no fim de semana”, conta a mãe, entre risos. E observa: “Ele nasceu com vontade de ajudar”.
Entre uma aula e outra, o jovem ainda arruma tempo para praticar esportes e participar de projetos escolares. Para Álvaro, o estudo é o caminho mais certo para vencer: “O principal que ajuda a criança no futuro é o estudo. O papel, o lápis, a leitura”, ensina.
Para os professores e mediadores da rede estadual, cada avanço de alunos como Álvaro representa também o sucesso das políticas públicas que o governo do Acre vem implementando: ações que unem investimento, formação e afeto, pilares de uma inclusão que transforma vidas.


