Por MRNews
Revolut surpreende com sucesso das milhas e pode mudar disputa por cartões premium no Brasil
A Revolut Ultra chegou ao mercado brasileiro com uma aposta clara: conquistar consumidores interessados em câmbio mais barato e uma conta global. Mas o comportamento dos clientes revelou uma oportunidade que pode mudar os planos da fintech para os próximos anos.
O cartão Ultra, lançado pela empresa no Brasil, acabou encontrando forte demanda entre consumidores interessados em pontos e milhas. Segundo Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil, a companhia esperava vender em três meses determinado volume de cartões, mas atingiu essa marca em apenas duas semanas.
A surpresa fez a empresa perceber que o mercado brasileiro de programas de fidelidade pode ser muito mais estratégico do que inicialmente imaginava.
Santander lança cartão de outro nível — mas existe um detalhe que poucos clientes terão como superar
Milhas podem ganhar protagonismo na estratégia da Revolut
O cartão Ultra oferece três RevPoints por dólar gasto no crédito. Porém, segundo Mota, o principal diferencial está na possibilidade de utilização desses pontos em programas de companhias aéreas.
A Revolut trabalha com parceiros internacionais e permite a transferência dos RevPoints para programas de fidelidade. Entre os parceiros divulgados pela empresa estão programas como Iberia Plus, TAP Miles&Go e Qatar Airways.
Para o consumidor brasileiro, essa possibilidade pode representar uma diferença importante em relação a cartões cujo programa de pontos possui conversões menos favoráveis.
Foi justamente essa característica que chamou a atenção de um público acostumado a comparar pontuação, bônus de transferência e custo dos cartões.
Santander Visa Infinite Private: novo cartão de altíssima renda chega por convite
Uma mudança importante no mercado de cartões
O sucesso inicial do Ultra pode representar mais do que o crescimento de um único produto.
Durante anos, os cartões premium brasileiros foram dominados por grandes bancos e associados a critérios como renda elevada, investimentos, relacionamento ou convite.
A estratégia da Revolut é diferente.
A empresa trabalha com um modelo de assinatura, no qual o cliente paga pelo plano e recebe um conjunto de serviços e benefícios. No caso do Ultra, o pacote reúne cartão, pontos, benefícios de viagem, acesso a salas VIP e outros serviços.
Essa proposta pode pressionar os concorrentes a repensarem o conceito de cartão premium.
O futuro pode ser de cartões como plataformas de benefícios
A tendência apontada pela estratégia da Revolut é que o cartão deixe de ser visto apenas como um meio de pagamento.
No futuro, o consumidor poderá comparar produtos levando em consideração todo o ecossistema oferecido:
- Pontuação por dólar;
- Transferência para programas de milhas;
- Salas VIP;
- Seguros de viagem;
- Benefícios em hotéis;
- Serviços de assinatura;
- Câmbio;
- Conta global;
- Investimentos;
- Experiências exclusivas.
Nesse cenário, a disputa não será necessariamente pelo cartão que oferece a maior pontuação nominal, mas pelo produto que entrega o maior valor considerando todos os benefícios.
Revolut descobriu um consumidor brasileiro diferente
A percepção da empresa sobre o Brasil também parece ter mudado.
O país possui um público bastante ativo em programas de fidelidade. Há consumidores que acompanham diariamente promoções de transferência, valores de milhas, disponibilidade de passagens e oportunidades para emitir voos internacionais.
Para esse público, um cartão que oferece boa pontuação e facilidade de transferência pode ser muito mais interessante do que um produto focado exclusivamente em câmbio.
Foi justamente essa característica que, segundo o CEO da Revolut, surpreendeu a empresa.
A fintech acreditava que o câmbio seria o principal argumento de venda. Na prática, as milhas acabaram se tornando uma das maiores atrações do cartão Ultra.
O que a Revolut pode fazer daqui para frente?
É aqui que começa a parte mais interessante da história.
O desempenho inicial do Ultra pode levar a Revolut a investir ainda mais no ecossistema de fidelidade no Brasil.
Uma possibilidade é ampliar a quantidade de parceiros aéreos disponíveis para os RevPoints. Outra é criar novas campanhas de bonificação, benefícios exclusivos ou experiências voltadas para viajantes.
Também existe espaço para uma expansão dos benefícios relacionados a aeroportos.
As salas VIP já são um dos principais diferenciais dos cartões premium no Brasil. Com uma base maior de clientes, a Revolut poderá precisar ampliar sua rede de parceiros ou buscar novas formas de oferecer experiências diferenciadas aos usuários.
Uma possível nova guerra entre os cartões premium
A chegada da Revolut em uma posição mais agressiva pode aumentar a competição entre os cartões destinados ao público de maior poder aquisitivo.
Bancos tradicionais já disputam esse consumidor oferecendo cartões com alta pontuação, salas VIP, benefícios em hotéis, programas de relacionamento e condições especiais.
A entrada de uma fintech global com um modelo baseado em assinatura adiciona uma nova variável à equação.
O consumidor passa a ter uma alternativa em que não necessariamente precisa construir durante anos um relacionamento bancário para ter acesso a um pacote premium.
O grande desafio será manter o cliente
O crescimento rápido do Ultra é relevante, mas não é o único indicador que importa.
O verdadeiro teste para a Revolut será conseguir transformar a curiosidade inicial em relacionamento de longo prazo.
Um cartão premium precisa justificar seu custo continuamente. Para isso, o cliente precisa utilizar os pontos, salas VIP, benefícios, serviços financeiros e demais vantagens oferecidas.
Se a empresa conseguir criar esse hábito, poderá construir uma base bastante fiel.
Caso contrário, o consumidor pode simplesmente migrar para outro cartão quando surgir uma oferta mais interessante.
O Ultra pode ser apenas o começo
A principal conclusão para o mercado brasileiro talvez não esteja no produto que a Revolut oferece atualmente, mas no caminho que a empresa poderá seguir.
A fintech começou sua operação no país fortemente associada à conta global e ao câmbio. Agora, o cartão e o programa de pontos aparecem como peças importantes de uma estratégia muito maior.
A lógica é concentrar cada vez mais serviços dentro de uma única plataforma.
O cliente pode entrar pela conta global, utilizar o câmbio, contratar um cartão, acumular pontos, viajar utilizando salas VIP e posteriormente utilizar outros produtos financeiros.
Esse modelo aproxima a Revolut de um conceito de “superapp financeiro”, no qual diferentes necessidades são atendidas dentro do mesmo ecossistema.
A disputa pode ficar ainda mais interessante nos próximos anos
Se a Revolut continuar ampliando sua presença no Brasil, o mercado de cartões poderá entrar em uma nova fase de competição.
A disputa pode deixar de ser apenas entre bancos tradicionais e passar a envolver bancos digitais, fintechs globais e empresas especializadas em benefícios.
Para o consumidor, isso pode significar mais opções e, principalmente, mais pressão para que os cartões premium entreguem benefícios realmente relevantes.
O caso do Ultra mostra que a estratégia inicial de uma empresa pode mudar quando o mercado apresenta uma demanda diferente daquela imaginada.
A Revolut apostou no câmbio.
O consumidor brasileiro mostrou que também queria milhas.
E essa descoberta pode ser apenas o primeiro capítulo de uma disputa muito maior pelo cliente premium no Brasil.
Tags: Revolut, Revolut Ultra, Revolut Brasil, RevPoints, milhas, cartão premium, cartão de crédito, cartões Black, cartões premium Brasil, salas VIP, pontos, programas de fidelidade, milhas aéreas, conta global, câmbio, fintech, bancos digitais, mercado de cartões, cartões de alta renda, viagens, Viagem Black

