Como parte da programação da missão técnica da União Europeia no Acre, a comitiva internacional participou, nesta sexta-feira, 13, e no sábado, 14, de visitas de campo para conhecer experiências locais de produção sustentável e conservação da floresta. A agenda mostrou, na prática, como extrativistas e produtores rurais desenvolvem suas atividades promovendo o desenvolvimento sustentável da região e mantendo a floresta em pé.
A primeira visita ocorreu na sexta-feira, 13, no município de Acrelândia, onde os membros da comitiva conheceram uma iniciativa da cadeia produtiva sustentável de café e cacau. Na ocasião, a delegação internacional conheceu a propriedade do produtor rural Agnaldo Ferreira, que desde 2021 investe no cultivo de cacau e café como fonte de renda. A iniciativa é um exemplo do modelo de produção sustentável adotado no Acre, que alia desenvolvimento econômico à conservação ambiental.
Segundo ele, a produção teve início há cerca de cinco anos e, desde então, vem se desenvolvendo com o apoio de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura.
“Há cinco anos comecei o plantio de café e cacau, principalmente. Desde então a gente vem trabalhando e recebendo apoio. Hoje contamos com a ajuda da Secretaria de Agricultura, que tem acompanhado e orientado os produtores. Há cerca de dois anos começamos esse caminho juntos e estamos seguindo. É algo que está dando certo e vamos continuar”.
Segundo o chefe do Departamento de Produção Familiar da Secretaria do Estado de Agricultura (Seagri), Josicley Azevedo, o produtor faz parte das iniciativas da Rota do Cacau, estratégia do governo que busca identificar produtores, oferecer assistência técnica e ampliar o acesso às políticas públicas voltadas à atividade.
“Estamos atendendo o senhor Agnaldo com assistência técnica direcionada à cultura do cacau. A Seagri vem fomentando a Rota do Cacau, identificando os produtores e levando orientações técnicas, além de apresentar as políticas públicas voltadas à cadeia produtiva. Aqui realizamos intervenções como manejo da lavoura, tratos culturais, orientações de mercado e também incentivamos a participação em capacitações e eventos promovidos pelo governo”.
O gestor sênior do Componente 2 do Programa AL-INVEST Verde, Andrea Monaco, realizou um balanço das visitas realizadas ao longo de quatro dias no estado.
“Nesta missão, o objetivo é conhecer de perto essa experiência construída com o governo do Acre e também entender melhor as cadeias de valor presentes no estado. Há um interesse claro em entender como funcionam essas cadeias produtivas, desde a produção até a exportação e como esse processo pode contribuir para a proteção ambiental e no combate ao desmatamento”
A agenda permitiu que as autoridades internacionais conhecessem de perto iniciativas que demonstram como a produção agrícola pode caminhar aliada à conservação ambiental, fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis e contribuindo para o desenvolvimento econômico das comunidades rurais do Acre.
No sábado, 14, a comitiva seguiu para Xapuri, terra do líder seringueiro Chico Mendes. Na parte da manhã, a delegação visitou a Casa de Chico Mendes e o Memorial dedicado ao líder ambientalista.
Em seguida, estiveram na Reserva Extrativista Chico Mendes, onde conheceram o trabalho de artesanato local desenvolvido pelo Ateliê da Floresta e ainda percorreram a Trilha da Samaúma e da Borracha.
Os participantes ainda puderam acompanhar de perto o processo de coleta do látex e da castanha, além das técnicas tradicionais de manejo florestal utilizadas pelas comunidades extrativistas. Durante a atividade, a comitiva também visitou a casa do líder extrativista e primo de Chico Mendes, Raimundo Mendes, conhecido popularmente como “Raimundão”.
A secretária adjunta da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Renata Souza, destacou a importância da visita para conhecer de perto as práticas sustentáveis desenvolvidas pelas comunidades que vivem na Reserva.
“Realizamos uma imersão na Resex Chico Mendes, onde a comitiva pode conhecer de perto o artesanato produzido pelas comunidades, feito a partir do aproveitamento de madeiras caídas na floresta, de forma sustentável. Também percorremos a Trilha da Seringueira, onde acompanhamos o processo tradicional de extração do látex, atividade que faz parte da história e da cultura das populações extrativistas da região.”
Durante a visita na Resex, a comitiva foi acompanhada pelo filho de Raimundão, Rogério Mendes, que ressaltou a importância do encontro para dar visibilidade à realidade das famílias que vivem na floresta e fortalecer a luta das comunidades pela conservação do território.
“É uma oportunidade de mostrar o nosso modo de vida, as necessidades que enfrentamos hoje dentro da reserva e dar mais visibilidade à realidade dos povos da floresta. Uma forma de mostrar o legado de luta daqueles que dedicaram suas vidas à defesa desse território e também dos jovens que hoje continuam essa missão. Quando as pessoas conhecem de perto a nossa realidade conseguimos ampliar o apoio para continuar preservando e mantendo a floresta em pé.”
O chefe de Serviço no Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico (Miteco) da Espanha, José Jordi Brotons, conta que as visitas de campo permitiram com que a comitiva compreendesse melhor como funcionam as cadeias produtivas e como elas podem avançar para atender às exigências do regulamento da União Europeia.
“Para nós é fundamental conhecer essas experiências diretamente no território, entender como os produtores trabalham e como essas cadeias podem evoluir para atender às expectativas e aos requisitos do regulamento europeu contra o desmatamento”, destacou.
A delegação internacional também conheceu algumas das ações implementadas na reserva com apoio do Programa REM Acre, financiado pelos governos da Alemanha e do Reino Unido. Os recursos são destinados ao fortalecimento de iniciativas de conservação florestal e ao apoio às comunidades que vivem na floresta.
Entre as ações apoiadas pelo programa estão o pagamento do subsídio da borracha e a realização de capacitações voltadas ao manejo sustentável, iniciativas consideradas fundamentais para o fortalecimento da cadeia produtiva da borracha. Essas medidas contribuem para gerar renda às famílias extrativistas, valorizar o trabalho tradicional e manter a floresta em pé.
“Receber a missão técnica da União Europeia no Acre é uma oportunidade de mostrar, na prática, como nossas políticas públicas conectam conservação da floresta, produção sustentável e desenvolvimento. A visita a Xapuri e à Reserva Extrativista Chico Mendes reforça esse simbolismo histórico e permite apresentar iniciativas como o subsídio da borracha e como esses benefícios ajudam a combater o desmatamento ilegal e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis”, destacou a presidente do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC), Jaksilande Araújo.
A missão reuniu autoridades da Comissão Europeia, por meio da Direção-Geral de Parcerias Internacionais (DG INTPA); do Ministério da Saúde e do Meio Ambiente da Bélgica; do Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico da Espanha (MITECO); da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do Centro de Inteligência Territorial; da Organização Internacional Ítalo-Latino-Americana (IILA); e da Fundación para la Internacionalización de las Administraciones Públicas (FIAP).
A agenda foi conduzida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e contou com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre (CBMAC); do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC); de Meio Ambiente (Imac) e das secretarias de Estado da Casa Civil e de Agricultura (Seagri).


