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Rompimento de barragem deixa população em alerta em MG e governo decreta situação de emergência

Por MRNews

Rompimento de barragem deixa população em alerta em MG e governo decreta situação de emergência

As fortes chuvas que atingiram o Norte de Minas Gerais nos últimos dias provocaram sérios transtornos no município de Porteirinha. Após o rompimento parcial da barragem do Rio Lajes, o governo federal reconheceu situação de emergência na cidade neste domingo (1º).

A decisão foi tomada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e deve ser oficializada em edição extra do Diário Oficial da União.

Evacuação imediata e risco de colapso

Com o avanço das chuvas e os danos registrados na estrutura, a prefeitura de Porteirinha emitiu alerta para que moradores de áreas mais baixas deixassem suas casas e buscassem locais seguros.

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O prefeito Silvanei Batista informou que há risco de colapso total da barragem, o que poderia agravar ainda mais a situação nas comunidades rurais localizadas abaixo da estrutura.

Até o momento, não há registro oficial de vítimas, mas o cenário é considerado delicado.

Monitoramento e apoio federal

A situação está sendo acompanhada pelo Grupo Federal de Segurança de Barragens, com participação da Defesa Civil Nacional, além de autoridades estaduais e municipais.

O reconhecimento da situação de emergência permite que o município solicite recursos federais para:

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  • Assistência humanitária às famílias afetadas
  • Ações emergenciais na barragem
  • Recuperação de áreas atingidas
  • Infraestrutura provisória

Equipes técnicas também estão prestando orientação para minimizar os riscos e organizar a resposta ao desastre.

Danos estruturais e interdições

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais realizou vistorias no local e identificou danos no vertedouro, além de erosões no talude da barragem.

Diversas pontes e passagens molhadas foram interditadas devido ao nível elevado das águas, dificultando o deslocamento de moradores e o acesso a algumas áreas rurais.

Comunidades em alerta máximo

O alerta máximo permanece para as comunidades situadas abaixo da barragem do Rio Lajes. A orientação das autoridades é que moradores sigam as recomendações da Defesa Civil e não retornem às áreas de risco até nova avaliação técnica.

A previsão do tempo ainda indica possibilidade de mais chuvas na região, o que mantém o clima de apreensão entre a população.

As autoridades seguem monitorando a estrutura da barragem e prometem divulgar novas atualizações conforme a situação evoluir.

 

Por EBC,

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que as buscas por vítimas das chuvas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, estão encerradas. O corpo do último desaparecido, o menino Pietro, de 9 anos, foi localizado na noite de sábado (28), no bairro Paineiras.

O número de mortos em decorrência das chuvas chegou a 72 na manhã deste domingo (1º), segundo atualização da Polícia Civil do estado. Ao todo, 72 corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), sendo 65 de Juiz de Fora e sete de Ubá. Uma pessoa continua desaparecida em Ubá, onde as buscas serão intensificadas.

A equipe da Agência Brasil esteve em Juiz de Fora na última sexta-feira (27). No bairro Paineiras, área de classe média com casarões antigos e prédios residenciais, moradores seguiam fora de casa após o deslizamento de terra que atingiu imóveis na noite de segunda-feira (23). A Defesa Civil orientou a retirada das famílias diante do risco de novos desmoronamentos, especialmente pela instabilidade na encosta do Morro do Cristo.

Deslizamento de terra do Morro do Cristo atinge o Bairro Paineiras, em Juiz de Fora – Foto Rovena Rosa/Agência Brasil

O engenheiro civil Guilherme Belini Golver, atualmente desempregado, mora em um casarão na rua atingida, onde vive com os pais. Ele não estava em casa no momento do deslizamento, mas percebeu a gravidade da situação ainda durante o temporal : “Quando eu saí, já havia muita água, parecia um rio, de cor assim, amarronzada. Tava igualzinho um rio”, relatou. Guilherme saiu por volta das 22h10 para buscar a filha na faculdade. Cerca de 20 minutos depois, recebeu a ligação de um vizinho: “Quando ele chegou aqui fora, já estava essa tragédia toda. A terra invadindo a casa, dentro do portão, da garagem.”

Desde então, a família não pôde permanecer no imóvel.

“A Defesa Civil pediu para a gente sair porque não se sabe a gravidade, né? Não sabe se pode vir mais alguma coisa lá do Morro do Cristo.”

Morador do bairro Paineiras, Guilherme Gouveia ajuda na limpeza da lama trazida pelo deslizamentoto de terra no Morro do Cristo. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Ele tem retornado apenas para tentar limpar a lama e vigiar o imóvel, que ficou vulnerável após o impacto da terra : “Limpar, tentar acabar com esse lamaçal. E também ficar de olho na casa, que ficou vulnerável. Ficou aberta, a gente perdeu a tranca.”

O engenheiro lembra que, há cerca de 40 anos, pequenas pedras deslizaram da encosta, o que levou à instalação de contenções. “Mas isso há 40 anos, não foram pedras grandes. Foram pequenas”.  Apesar da experiência passada, ele admite o receio de novos episódios. “A cabeça da gente fica meio preocupada, aquele medo de acontecer de novo.”

Casas e apartamentos são atingidos por deslizamento de terra do Morro do Cristo no Bairro Paineiras, em Juiz de Fora – Foto Rovena Rosa/Agência Brasil

Na mesma rua, um policial penal que morava ali há cerca de quatro meses, morreu durante o deslizamento. A poucos metros do casarão de Guilherme, três prédios residenciais alugados por uma mesma família também foram atingidos. Em um dos apartamentos mora o motoboy Paulo Barbosa Siqueira, de 25 anos. Ele estava fora quando o desabamento ocorreu, por volta das 22h50.

“No momento eu tinha ido buscar minha irmã no serviço por causa da chuva. Quando curvei aqui para entrar  no prédio, já tinha caído tudo”, conta Barbosa.

Segundo ele, moradores precisaram improvisar uma rota de fuga entre apartamentos para escapar: “Teve gente que pulou de dois apartamentos para poder ir para o outro. Aí a gente fez o caminho. Isso, salvamos todo mundo. Ninguém veio ajudar a gente. Eu e um policial militar que fizemos o caminho para salvar todos.”

Um vizinho, que trabalhava como policial penal , morreu no episódio. “A gente perdeu um policial do nosso prédio.”, lamenta Paulo.

Chuvas em Juiz de Fora provocam deslizamentos de terra no Bairro Paineiras – Foto Rovena Rosa/Agência Brasil

Desde então, os moradores aguardam autorização para entrar nos imóveis e retirar documentos e pertences. O acesso permanece interditado por risco estrutural :

“A gente quer pegar o básico, documento, roupa. A gente está sem nada, de favor na casa dos outros. A gente está usando roupa dos outros. Sem nada para comer.”

Paulo afirma que, até então, não havia um posicionamento formal sobre a situação dos prédios: “Até agora a Defesa não deu um parecer para a gente, nem bombeiro.”

Ele relata dificuldades para se alimentar e dormir desde a tragédia. “Desde o dia do acontecimento, eu não como, não consigo comer. Nem dormindo direito a gente está.”

Moradores também denunciam saques durante a madrugada nos imóveis interditados. “Porque de madrugada, quando o pessoal para de trabalhar, estão vindo roubar, saquear nosso prédio.

Moradores denunciam saques nos imóveis interditados – Foto Rovena Rosa/Agência Brasil

Os deslizamentos no Paineiras atingiram dois pontos distintos, em ruas próximas. Em uma delas, onde ficam casarões e prédios de classe média, ocorreram danos estruturais e uma morte. Na rua seguinte, equipes de resgate atuaram intensamente após registros de vítimas e desaparecimento, incluindo o caso de Pietro, de 9 anos, encontrado no sábado.

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